O problema que ninguém vê até a fiscalização chegar
Muitas empresas só descobrem que o eSocial SST está desorganizado quando um cliente pede comprovação, um auditor cruza dados ou um ex-colaborador pede o PPP. Nesse momento aparecem exames periódicos que nunca foram transmitidos, CATs com dados trocados, S-2240 iguais para todos os cargos e eventos que ficaram rejeitados sem ninguém perceber.
A troca de fornecedor de SST é outro ponto crítico. O novo prestador começa a enviar os eventos daqui para frente, mas o histórico deixado pelo anterior continua lá, com os mesmos erros.
Há ainda as situações em que o erro é corrigido no papel, mas não no sistema. O médico refaz um ASO com a data certa, o técnico atualiza o laudo com um agente que faltava, e ninguém lembra de levar a correção para o eSocial. A empresa passa a ter dois registros diferentes sobre o mesmo fato, o que é pior do que ter um só registro errado.
Situações que pedem um levantamento
- Troca de prestador de SST ou de escritório contábil.
- Painel do eSocial com eventos rejeitados ou pendências acumuladas.
- Pedido de PPP de ex-colaborador com informações que não batem com o laudo.
- Fiscalização anunciada, auditoria de cliente ou processo de licitação.
- Incorporação de outra empresa ou de filial com histórico próprio.
Retificar, excluir ou enviar de novo
Cada tipo de falha tem um tratamento. Escolher o caminho errado pode criar mais inconsistências do que resolver.
| Situação | Tratamento usual |
|---|---|
| Dado errado em evento aceito, como data ou código | Retificação do evento original, quando o campo admite. |
| Evento duplicado ou enviado para o trabalhador errado | Exclusão pelo evento S-3000 e, se necessário, novo envio. |
| Evento rejeitado pelo sistema | Correção da causa da rejeição e nova transmissão. |
| Mudança real nas condições de trabalho | Novo evento com a data da mudança, sem mexer no anterior. |
As regras sobre quais campos podem ser retificados e em que condições estão no Manual de Orientação do eSocial vigente. A equipe consulta a versão em uso antes de cada correção.
Como a correção é feita
- Acesso ao históricoA empresa autoriza a consulta por procuração eletrônica ou certificado digital.
- LevantamentoOs eventos de SST transmitidos são comparados com ASOs, laudos, CATs e cadastro da folha.
- Relatório de inconsistênciasO RH recebe a lista do que está errado, do que falta e do que está correto.
- Correção em sequênciaExclusões, retificações e envios pendentes são feitos na ordem que o sistema exige.
- Conferência finalOs recibos são arquivados e a empresa passa a ter uma base limpa para a rotina mensal.
O que entra no levantamento
- CATs: acidentes comunicados pelo S-2210 e afastamentos sem comunicação correspondente.
- Monitoramento da saúde: ASOs sem evento e eventos sem ASO arquivado.
- Condições ambientais: agentes informados no S-2240 contra o que dizem o LTCAT e a folha.
- Cadastro: matrículas, categorias e datas que não batem com o enviado pelo departamento pessoal.
Um trabalho que conversa com a contabilidade
Parte das inconsistências nasce no cadastro do trabalhador, que é de responsabilidade do departamento pessoal ou do escritório contábil. A MT9 indica com clareza o que é correção de SST e o que precisa ser ajustado do lado da folha, para que cada parte resolva o que lhe cabe. Assim, a correção não fica parada esperando que alguém descubra de quem é a tarefa.
Se a empresa vai passar por fiscalização ou auditoria de cliente, a correção do eSocial pode fazer parte de uma auditoria de SST mais ampla.