Por que o campo tem um programa próprio
A NR-31 regula a segurança e a saúde no trabalho na agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aquicultura. Em vez do PGR da NR-1, o empregador rural elabora o Programa de Gerenciamento de Riscos no Trabalho Rural. A lógica é a mesma, com inventário de riscos e plano de ação, mas o conteúdo reflete a realidade do campo: frentes de trabalho que mudam ao longo do ano, exposição ao sol e à chuva, longas distâncias e equipes que crescem na safra.
Um programa rural feito com modelo urbano costuma falhar justamente nesses pontos. Ele descreve um posto fixo, quando o tratorista passa o dia em talhões diferentes; ignora a sazonalidade, quando a aplicação de defensivos se concentra em poucas semanas; e esquece riscos que só existem no campo, como animais peçonhentos e raios. O PGRTR bem feito acompanha o calendário da propriedade.
Em Goiás, onde grãos, cana, pecuária e granjas convivem com agroindústrias de grande porte, é comum que uma mesma empresa tenha frentes urbanas e rurais. Nesses casos, a MT9 organiza o PGR e o PGRTR de forma coordenada, sem lacunas entre os estabelecimentos.
Riscos típicos levantados no PGRTR
| Grupo de risco | Exemplos no campo |
|---|---|
| Máquinas e implementos | Tratores, colheitadeiras, roçadeiras, motosserras e tomadas de potência. |
| Agrotóxicos | Preparo de calda, aplicação, armazenamento e descarte de embalagens. |
| Animais | Manejo de gado, coices, mordidas e animais peçonhentos. |
| Ambiente | Radiação solar, calor, chuva e descargas atmosféricas. |
| Ergonomia | Colheita manual, carregamento de sacarias e postura agachada. |
| Instalações | Silos, armazéns, galpões, redes elétricas e transporte de trabalhadores. |
Como elaboramos o programa na propriedade
- Calendário agrícolaEntendemos as culturas, os períodos de plantio, aplicação e colheita e a variação de equipe ao longo do ano.
- Visita às frentes de trabalhoLevantamento em campo, oficinas, armazéns, depósitos de agrotóxicos e áreas de vivência.
- Inventário de riscosRegistro dos perigos por atividade e por época do ano, com avaliação e prioridade.
- Plano de açãoMedidas como proteções em máquinas, depósito adequado de produtos e pausas em dias de calor.
- Integração médicaOs riscos seguem para o controle médico, incluindo a colinesterase de quem lida com organofosforados e carbamatos.
Além do documento
A NR-31 traz exigências que se conectam diretamente ao programa e que a fiscalização rural costuma verificar:
- áreas de vivência com instalações sanitárias, local para refeição e água potável;
- capacitação de operadores de máquinas e de aplicadores de agrotóxicos;
- fornecimento e controle de EPI adequado a cada atividade;
- condições de segurança no transporte de trabalhadores;
- exames médicos dos trabalhadores conforme as normas aplicáveis.
Para operadores de tratores e implementos, veja também o treinamento de NR-12. O programa indica quais capacitações cada atividade exige, e a MT9 ajuda a montar o calendário de treinamentos para que fiquem prontos antes do pico da safra, quando a equipe cresce e o tempo para formar novos trabalhadores fica curto.
Benefícios para o produtor e a agroindústria
- Menos acidentes graves: máquinas e agrotóxicos concentram as ocorrências mais sérias do campo.
- Atendimento a compradores: tradings, frigoríficos e certificações costumam exigir documentação de SST.
- Segurança na fiscalização: programa e evidências organizados para apresentar.
- Programa alinhado ao PCMSO: exames coerentes com os riscos reais do campo.
A MT9 atende propriedades na região metropolitana de Goiânia e avalia com o comercial o atendimento em outras regiões de Goiás.