Por que medir a colinesterase
A colinesterase é uma enzima que regula a comunicação entre os nervos e os músculos. Os inseticidas organofosforados e carbamatos bloqueiam essa enzima. Quando a atividade dela cai, o organismo está absorvendo o produto, mesmo que a pessoa ainda não sinta nada. A dosagem periódica permite agir antes de uma intoxicação.
Em uma região de agricultura intensa como Goiás, esse acompanhamento é parte da rotina de fazendas de grãos, hortifrúti, revendas de insumos e empresas de dedetização. Mesmo com a migração de muitas lavouras para produtos de outros grupos químicos, organofosforados e carbamatos continuam presentes em várias aplicações, e a empresa precisa saber exatamente quais produtos usa para decidir quem entra no programa. A lista de defensivos e os receituários agronômicos são o ponto de partida dessa análise.
Dois exames, duas leituras
| Exame | O que indica |
|---|---|
| Acetilcolinesterase eritrocitária | Atividade da enzima nos glóbulos vermelhos. É o indicador previsto na NR-7 para exposições a organofosforados e carbamatos e reflete melhor a exposição ao longo do tempo. |
| Colinesterase plasmática | Atividade da enzima no plasma. Responde mais rápido e ajuda a identificar exposições recentes, como complemento. |
Quem deve entrar no programa
- Aplicadores em lavouras, com pulverizador costal ou tratorizado.
- Quem prepara caldas e abastece equipamentos.
- Trabalhadores de armazéns e revendas que manipulam embalagens.
- Equipes de controle de vetores e de pragas urbanas.
- Responsáveis pela lavagem de equipamentos e de roupas de aplicação.
No meio rural, o programa se apoia no PGRTR, que registra quais produtos são usados e quem fica exposto.
O valor de base faz toda a diferença
A atividade da colinesterase varia muito de uma pessoa para outra. Um resultado isolado pode parecer normal para a população e, ainda assim, representar uma queda importante para aquele trabalhador. Por isso, o ideal é medir a enzima antes da primeira exposição da temporada e usar esse valor como referência individual.
Empresas que contratam para a safra devem agendar a dosagem de referência ainda no admissional, antes de o trabalhador ter contato com os produtos.
Calendário típico do acompanhamento
- Dosagem de referênciaFeita fora do período de aplicação, de preferência na admissão.
- Dosagens durante a temporadaNa frequência definida pelo médico do PCMSO conforme a intensidade da aplicação.
- Comparação com a baseO médico avalia a queda em relação ao valor individual, conforme os critérios da norma vigente.
- CondutaSe houver queda relevante, o trabalhador é afastado da exposição e o processo de aplicação é revisto.
Sinais que pedem atendimento imediato
Suor excessivo, salivação, visão turva, tremores, cólicas, vômitos ou dificuldade para respirar após contato com agrotóxicos exigem atendimento de urgência. O exame periódico não substitui o socorro em caso de sintomas.
O monitoramento funciona melhor junto com treinamento sobre preparo de calda, uso correto do EPI e higiene após a aplicação. A MT9 pode integrar essas frentes ao programa da propriedade ou da empresa.
Na prática, as quedas de colinesterase costumam aparecer em situações previsíveis: aplicação com vento forte, vazamento no pulverizador costal, roupa de aplicação lavada junto com a roupa da família, refeição feita na lavoura sem lavar as mãos. Quando um resultado cai, a investigação do médico do trabalho passa por essas perguntas, e as respostas viram ajustes concretos no procedimento da fazenda ou da empresa.
Para propriedades rurais, os dados do monitoramento também alimentam a revisão do PGRTR, mostrando onde as medidas de controle precisam ser reforçadas. Em empresas urbanas de controle de pragas, o mesmo raciocínio vale para o PGR.