Um documento que circula por toda a cadeia
A Ficha com Dados de Segurança acompanha o produto químico do fabricante até o usuário final. O almoxarife consulta a FDS para armazenar, o técnico de segurança para escolher o EPI, a brigada para agir em vazamentos, o médico do trabalho para entender a exposição e o gestor ambiental para classificar o resíduo.
A NR-26 exige que produtos químicos utilizados no trabalho sejam classificados e tenham ficha e rótulo com as informações de perigo, seguindo o Sistema Globalmente Harmonizado (GHS). Uma ficha incompleta compromete todas essas decisões ao mesmo tempo.
Quem precisa elaborar ou revisar
- Indústrias químicas, de saneantes, tintas, adesivos e cosméticos com componentes perigosos.
- Importadores que recebem fichas estrangeiras e precisam adaptá-las ao padrão brasileiro.
- Distribuidores e fracionadores que reembalam produtos com marca própria.
- Empresas com fichas antigas no modelo FISPQ, que precisam de atualização.
A estrutura da ficha
A FDS segue uma ordem padronizada de seções, que permite ao leitor encontrar rapidamente o que precisa. Os blocos principais são:
| Bloco | Conteúdo |
|---|---|
| Identificação e perigos | Produto, fornecedor, telefone de emergência, classificação GHS, pictogramas e frases de perigo e de precaução |
| Composição | Ingredientes perigosos que contribuem para a classificação |
| Emergência | Primeiros socorros, combate a incêndio e controle de derramamentos |
| Uso seguro | Manuseio, armazenamento, controle de exposição e EPI |
| Propriedades e toxicologia | Dados físico-químicos, estabilidade, efeitos à saúde e ao meio ambiente |
| Destinação e transporte | Orientações de descarte, informações de transporte e regulamentações |
Etapas da elaboração
- Levantamento da fórmulaComposição com faixas de concentração, fichas dos fornecedores de matérias-primas e dados de ensaios disponíveis.
- Classificação de perigoAplicação dos critérios do GHS para perigos físicos, à saúde e ao meio ambiente.
- Redação técnicaPreenchimento de todas as seções em português, com linguagem clara para quem vai usar.
- RótuloElementos de rotulagem coerentes com a ficha: pictogramas, palavra de advertência e frases.
- Revisão e entregaConferência final com o responsável técnico e entrega em formato editável e em PDF.
Quando faltam dados físico-químicos essenciais, como ponto de fulgor ou pH, a MT9 indica os ensaios necessários, executados pelo laboratório responsável, com coleta e prazos definidos no orçamento.
Onde a FDS se conecta com SST e meio ambiente
- PGR: o inventário de riscos químicos do PGR depende das informações de perigo da ficha.
- Resíduos: a classificação pela ABNT NBR 10004 usa a composição e os perigos do produto.
- Sinalização: rótulos e áreas de armazenamento conversam com a sinalização de segurança da NR-26.
Fichas estrangeiras e de fornecedores: cuidado na adaptação
Importadores e distribuidores frequentemente recebem fichas em outro idioma ou em formatos de outros países. Traduzir o texto não basta. A ficha precisa seguir a estrutura e os critérios de classificação adotados no Brasil, trazer telefone de emergência local, dados do fornecedor nacional e informações de transporte e de regulamentação aplicáveis aqui.
Também é comum encontrar fichas de matérias-primas desatualizadas ou contraditórias entre fornecedores diferentes do mesmo insumo. Na elaboração da FDS de uma mistura, essas inconsistências precisam ser resolvidas, porque a classificação do produto final depende delas. A MT9 aponta as lacunas, sugere ao cliente as informações a solicitar aos fornecedores e registra as fontes usadas, o que facilita revisões futuras.
Diferencial da MT9
A ficha é escrita por quem também usa a FDS do outro lado: na elaboração de PGR, na escolha de exames do PCMSO e na gestão de resíduos. Isso resulta em documentos coerentes entre si e úteis para o cliente que compra o seu produto e precisa montar a própria documentação de segurança.