NR-23 e as normas do Corpo de Bombeiros
A NR-23 é curta e direta: o empregador deve adotar medidas de prevenção de incêndios conforme a legislação estadual e as normas técnicas aplicáveis, e informar os trabalhadores sobre o uso dos equipamentos de combate, as saídas e os dispositivos de alarme. Em Goiás, o detalhamento da brigada, do dimensionamento e dos simulados vem das normas técnicas do Corpo de Bombeiros Militar.
Na prática, a empresa precisa cumprir as duas pontas: a norma trabalhista, que trata da proteção do trabalhador, e a regra de segurança contra incêndio da edificação.
Para o RH, a brigada também é uma questão de escala. Brigadistas saem de férias, mudam de turno ou deixam a empresa, e a composição precisa ser revista para que nenhum período fique descoberto.
A MT9 mantém a relação de brigadistas por turno e setor e avisa o RH quando uma saída deixa um ponto sem cobertura.
Brigada e equipe geral: papéis diferentes
| Brigadistas | Demais colaboradores | |
|---|---|---|
| Função na emergência | Agir primeiro: alarme, combate ao princípio de incêndio, primeiros socorros e condução do abandono. | Reconhecer o alarme, interromper as atividades com segurança e seguir as rotas de fuga. |
| Treinamento | Teórico e prático, com conteúdo definido pelas normas técnicas aplicáveis. | Orientação na integração e participação nos simulados. |
| Identificação | Visível, para que todos saibam a quem recorrer. | Conhecimento de quem são os brigadistas do setor. |
O que o brigadista pratica
- Química do fogo, classes de incêndio e agente extintor adequado a cada uma.
- Manuseio de extintores e, onde houver, de hidrantes e mangueiras.
- Combate a princípio de incêndio em área controlada, com fogo real quando a estrutura permite.
- Corte de energia e de gás, isolamento da área e acionamento do socorro.
- Condução do abandono, conferência de pessoas no ponto de encontro e apoio a pessoas com mobilidade reduzida.
- Primeiros socorros básicos até a chegada do atendimento especializado.
A parte prática é o que dá confiança. Quem nunca acionou um extintor tende a hesitar na hora real, e alguns segundos de hesitação fazem diferença no começo de um incêndio.
Brigadistas de turnos diferentes treinam juntos sempre que possível, para que se conheçam e saibam a quem passar a coordenação.
O simulado de abandono, passo a passo
- PlanejamentoDefinição do cenário, do horário e de quem será avisado com antecedência, como recepção e vizinhos.
- AlarmeAcionamento real, para testar se todos os setores ouvem ou veem o sinal.
- AbandonoSaída pelas rotas sinalizadas, com brigadistas orientando e fechando as áreas.
- ContagemConferência no ponto de encontro, incluindo visitantes e terceiros.
- AvaliaçãoTempo de saída, falhas observadas e relatório com ajustes para o plano de emergência.
O ideal é repetir o simulado em horários diferentes, incluindo a troca de turno, quando o número de pessoas e a atenção da equipe mudam.
Cada edificação, uma realidade
- Galpões e centros de distribuição: grandes áreas, carga de incêndio alta e saídas distantes.
- Clínicas e hospitais: pacientes que não podem sair sozinhos e gases medicinais.
- Escritórios em prédios: integração com a brigada do condomínio e uso de escadas.
- Indústrias com inflamáveis: combinação com o treinamento NR-20 e o plano de resposta a emergências.
- Lojas e supermercados: clientes que não conhecem o local e horários de grande movimento.
Rotas de fuga sem sinalização ou extintores obstruídos aparecem com frequência no simulado. Esses pontos podem ser tratados com as inspeções de segurança e a revisão da sinalização.
A MT9 trata da parte de treinamento e simulado. Projetos de prevenção contra incêndio e vistorias da edificação são conduzidos pelo profissional responsável pelo projeto junto ao Corpo de Bombeiros.